A estimativa do estado nutricional dos ruminantes de interesse zootécnico por meio da avaliação do ECC embora seja um método subjetivo, é de fácil e rápida aplicação, além de barato, e um excelente auxiliar no manejo nutricional e reprodutivo dos rebanhos. Estas medidas são baseadas na classificação dos animais em função da cobertura muscular e da massa de gordura; refletem o grau de armazenamento de energia do animal (balanço energético) e estão relacionadas à eficiência reprodutiva. O conhecimento do ECC do rebanho contribui para a tomada de decisões sobre o manejo nutricional, garantindo medidas de impacto na produção e nos custos do empreendimento pecuário, como por exemplo, ajustar as etapas de desmama, visando reduzir o período de anestro pós-parto e o intervalo entre partos.
O ECC é realizado mediante avaliação visual e táctil (palpação) do animal, por um profissional treinado. Este exame quando avaliado de maneira adequada apresenta alta repetibilidade entre avaliadores e entre observações de um mesmo avaliador, possibilitando o uso dos dados em diversas situações, como:
- Comparação rápida, segura e simples de rebanhos e de animais sob diferentes condições de manejo, ambiente ou tratamento;
- Seleção de reprodutores e especialmente matrizes para programas de reprodução, possibilitando correlação com taxa de concepção;
- Decisão quanto à suplementação alimentar em épocas de escassez de forragem;
- Manejo de animais de engorda;
- Compra e venda de animais.
Avaliações mensais do ECC são recomendáveis ou, pelo menos, nos períodos estratégicos do ciclo de reprodução das fêmeas e de produção dos borregos, tais como na pré-estação reprodutiva, no pré-parto e na fase de engorda das crias.
Há diferentes escalas de escores, as quais variam no conceito, na topologia dos pontos de observação e na espécie animal à qual são aplicados. Em ovinos, o principal sítio anatômico de avaliação do ECC é a região lombar. O escore para ovinos varia de 1 a 5 e se baseia na sensibilidade da palpação à deposição de gordura e à musculatura nas vértebras (Figura 1). O escore 1 representa condição corporal pobre, situação em que as apófises espinhosas e as apófises transversas são facilmente sentidas na palpação. No escore 5 há deposição excessiva de gordura, que impede a palpação das apófises. Pode-se trabalhar com intervalos de 0,5 (1,0; 1,5; 2,0; 2,5; 3,0; 3,5; 4,0; 4,5; 5,0).
Figura 1. Ilustração esquemática da avaliação do escore de condição corporal por palpação da região lombar. A: Palpação da apófise espinhosa; B: Palpação da apófise transversa e; C: Palpação da deposição de gordura e musculatura lombar.
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Os cinco escores principais de ovinos estão detalhadamente caracterizados e demonstrados por figuras esquemáticas a seguir:
Escore 1: As apófises espinhosa e transversa estão proeminentes e bem definidas. No caso da apófise transversa, é possível colocar os dedos sob o final dela. O músculo lombar tem pouco volume e não possui cobertura de gordura.

Escore 2: A apófise espinhosa está proeminente e bem definida. Sobre o músculo lombar existe uma pequena cobertura de gordura. Sente-se a apófise transversa de forma suave e arredondada. Com um pouco de pressão, é possível colocar os dedos sob o final da apófise transversa.
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Escore 3: A apófise espinhosa se apresenta de forma suave e arredondada. O músculo lombar está mais volumoso e possuí uma boa cobertura de gordura. Sente-se a apófise transversa, mas somente com uma firme pressão consegue-se colocar os dedos sob o seu final.
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Escore 4: A apófise espinhosa só é detectada através de pressão, como uma linha dura. As apófises transversas não podem ser sentidas. O músculo lombar é volumoso e possui uma espessa camada de gordura.
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Escore 5: As apófises espinhosa e transversa não podem ser detectadas. O músculo lombar é muito volumoso e a camada de gordura sob o músculo é muito espessa.
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Os critérios de avaliação do ECC utilizados para ovinos não se aplicam aos caprinos, pois estes, mesmo quando aparentemente magros, apresentam grande quantidade de tecido adiposo no abdome. Nesta espécie, as notas são dadas aos animais de acordo com a quantidade de reservas teciduais, especialmente de gordura e de músculos avaliadas por palpação da região lombar e do esterno (Figura 2) e o escore varia de 0 a 5, conforme detalhado na tabela 1. Na avaliação lombar, a mão deve mimetizar um movimento de pinças com aplicação de pressão constante ao redor e entre as apófises (transversais, articulares e espinhais). Na palpação esternal deve-se avaliar a quantidade de pele e a densidade muscular e de gordura que cobre o esterno. Os pontos e critérios de avaliação estão ilustrados na figura 3.
Figura 2. Ilustração das regiões avaliadas para determinação do escore de condição corporal em caprinos.
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Tabela 1. Avaliação do escore de condição corporal (ECC) em caprinos.
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Figura 3. Critérios e pontos de avaliação do escore de condição corporal em caprinos. Fonte: Cezar e Souza (2006).
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O conceito da avaliação do ECC pode ser assimilado com um pouco de treino e boa capacidade de observação. Com base nestes critérios de avaliação do ECC é possível assegurar a condição nutricional e o potencial produtivo e reprodutivo do rebanho. Assim, mediante a adoção regular de práticas simples de manejo como o ECC, os técnicos e produtores podem realizar os ajustes necessários no sistema de produção.
Bibliografia consultada:
CEZAR, M. F.; SOUSA, W. H. DE. Avaliação e utilização da condição corporal como ferramenta de melhoria da reprodução e produção de ovinos e caprinos de corte. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 43., 2006, João Pessoa, PB. Simpósios. Anais... João Pessoa: SBZ, 2006. p. 649-678.
MACHADO, R.; CORRÊA, R. F.; BARBOSA, R. T.; BERGAMASCHI, M. A. C. M. Escore da condição corporal e sua aplicação no manejo reprodutivo de ruminantes, EMBRAPA,Circular Técnica, n. 57, 16p., São Carlos - SP, Dezembro, 2008.
RIBEIRO, S. D de A. Caprinocultura: Criação racional de caprinos. São Paulo: Nobel, 1997. p. 124.
SÁ, J. L.; OTTO DE SÁ, C. Condição corporal de ovinos. Disponível em: http://www.crisa.vet.br/exten_2001/score.htm Acessado em: 16/05/2009.