Ao examinar as causas de perdas reprodutivas em ovinos, muitos autores têm dado importância ao período inicial do desenvolvimento embrionário, que ocorre entre a fecundação e os dias 20 a 30 da gestação. Estima-se que 20 a 30% dos óvulos fertilizados são perdidos nesse período. No RS a incidência de mortalidade embrionária e fetal é considerada como a principal fonte de perdas econômicas para a produção ovina local.
Possíveis causas incluem: endogamia, senilidade, incompatibilidade sanguínea, anormalidade cromossômica, deficiências nutricionais (tanto falta quanto excesso), temperaturas elevadas, problemas endócrinos e gestação múltipla. Essas perdas são de difícil reconhecimento, já que muitas vezes a fêmea volta a ciclar e tem sucesso na próxima cobertura, ou leva essa gestação ao fim, porém com menos cordeiros do que poderia.
Segundo o trabalho de Ribeiro et. al, em uma revisão de SILVA (1992) sobre causas de perdas reprodutivas em ovinos na América Latina, são mencionados três fatores principais que são: (a) manejo nutricional e reprodutivo deficiente; (b) mortalidade perinatal de cordeiros e (c) enfermidades como footrot, miiases etc. Todas contribuindo para a redução da condição corporal das ovelhas, tendo efeito direto na eficiência reprodutiva das ovelhas.
Antes da fecundação:
• Os oócitos (óvulos) se desenvolvem no folículo, e são influenciados pelo FSH;
• O número de oócitos que serão ovulados (taxa de ovulação) é influenciado pela raça, nutrição e ambiente. O hormônio luteolítico causa a ovulação;
• Após a ovulação, o folículo que ovulou transforma-se no corpo lúteo;
• Caso haja fecundação o corpo lúteo persiste e continua a produção de progesterona. A progesterona evita novas ovulações e é necessária para a manutenção da gestação;
• Caso não haja fecundação, a prostaglandina causa luteólise desse corpo lúteo ("morte" do corpo lúteo), dando início a uma nova fase do ciclo estral.
Após a fecundação:
A mortalidade embrionária pode ser causada, como dito anteriormente, por uma falha no reconhecimento da gestação, stress térmico, menor taxa de sobrevivência em gestações múltiplas e menor taxa de sobrevivência de embriões em borregas, entre outras. Abaixo citamos as principais causas:
• Nas ovelhas em que há falha no reconhecimento da gestação, o corpo lúteo, ao invés de persistir e manter a produção de progesterona, regride e "morre" por uma falha de reconhecimento hormonal. Conseqüentemente o embrião perece.
• Ovulações múltiplas - geralmente óvulos que são ovulados sozinhos têm maiores taxas de sobrevivência do que óvulos múltiplos. Entretanto não podemos esquecer da importância de gestações múltiplas, que é um fator de seleção nos rebanhos que têm o manejo nutricional e sanitário adequado.
• Stress térmico - nos primeiros 9 dias de vida, o stress térmico pode causar mortalidade embrionária. Altas temperaturas também podem atrasar o ciclo estral em 1 ou 2 dias, alterar o comportamento da fêmea em cio com o macho e encurtar o período do cio. Daí a importância do sombreamento também para os lotes em monta!
• Idade - as borregas são mais propensas à mortalidade embrionária. Animais mais velhos têm uma qualidade menor de oócitos e resposta uterina reduzida.
• Deficiência de minerais como cobre, iodo, magnésio e selênio também interferem na concepção, assim como deficiência energética e protéica.
Além de nos atentarmos aos fatores acima, devemos sempre lembrar que a mortalidade embrionária acontece nos primeiros 30 dias de vida do embrião. Ou seja, na prática devemos:
• Evitar ao máximo o stress das ovelhas nesse período, evitando a tosquia, vacinações e todo manejo que puder ser adiado devemos fazê-lo, e sempre que manejar o rebanho fazê-lo com calma, sem gritaria e sobretudo sem a presença de cães não treinados para lidar com ovelhas - latidos e mordidas são altamente estressantes.
• É importante também manter a mesma dieta nesse período - sem mudanças alimentares. Planejar as mudanças para antes ou após esse período.
• Correta mineralização do rebanho com sal mineral próprio para a espécie e a vontade todos os dias do ano;
• Correto sombreamento a pasto e nas instalações;
• Correta densidade animal nas instalações.
Referências bibliográficas:
Ribeiro, L.A.O.; Gregory, R. M.; Mattos, R.C. Prenhez em rebanhos ovinos do Rio Grande do Sul, Brasil. Ciência Rural, v. 32, n. 4, 2002.
Wilson, K.; McLennan, N. Sheep breeding - oestrus, ovulation, fertilization and embryo mortality. Acesso on-line.